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Mês: abril 2020

Quem vai pagar a conta?

Um conhecido meu, dono de restaurante, foi pego de surpresa com o decreto obrigando o fechamento temporário do seu negócio e de outros milhares, por conta da incerteza dos governos em saber o que era mais eficaz contra o corona. Ainda tentou manter o sistema de entregas, mas a queda brusca no faturamento já era uma realidade. E somado a isso, a situação já delicada que muitos pequenos e médios negócios vivem no Brasil, com poucas reservas financeiras. Já era de se esperar a bola de neve dos próximos capítulos. Dificuldades para pagar os fornecedores, contas e salários. Para diversos restaurantes, o decreto foi outro: falência.

Óbvio que o isolamento social seria eficaz em um primeiro momento, para reduzir a contaminação e conscientizar a população acerca dos cuidados. Mas com novas informações chegando, e atualizando acerca, outras medidas deveriam ser tomadas, inclusive o retorno das atividades, com, é claro, todos os cuidados tomados. Mas os governantes, me parece, preferiram seguir o caminho da política, aproveitando o momento para angariar alguma aprovação. Com o discurso batido de “vidas em primeiro lugar”, decretam a morte dos pequenos negócios e pequenos empregadores. E nenhuma morte vale mais que a outra. Todas geram sofrimento.

Aí as pessoas perguntam se adianta agora abrir os restaurantes, já que praticamente ninguém está deixando as casas. Agora não dá mais tempo, já que os governantes (junto com parte da imprensa) preferiram seguir pelo caminho do pavor, deixando as pessoas desesperadas e pensando que a morte estava dormindo ao lado. Que poderiam morrer até em pisar no capacho da porta da frente. Mesmo com relatos da própria Organização Mundial da Saúde informando que o coronavírus seria, para a maior parte da população, um resfriado. Mas para além disso. Hoje as pessoas (pelo menos a maior parte) estão mais conscientes acerca dos riscos desse vírus. E acredito que os cuidados seriam redobrados em um possível retorno das atividades.

Essa solução pode não ser aceita, mas deveria, pelo menos, ser debatida. Ou estamos na Idade Média, onde não podemos contestar ninguém?

Foto por Allen em Pexels.com

O corona e a tradição em alta

Em tempos de coronavírus, com tudo fechado, e isolamento social teoricamente voluntário, as pessoas procuram alternativas para se alimentar. Na verdade, a comida, digamos, comum, a trivial (como um arroz com bife acebolado), todos fazem em casa, enquanto esperam o mundo voltar ao normal. Inclusive, esperam voltar ao normal para ter a opção de, se quiser, comer o trivial na rua. Os restaurantes, botecos, bares, marmitarias e afins viram seu faturamento despencar e, como alternativa, reforçaram sua participação nas redes sociais (o que já deveria acontecer antes mesmo do corona) e nas entregas. Mas não é o mesmo ritmo de quando todos estão nas ruas.

O novo “comer fora”, em tempos de corona, é comer a comida de fora, mas dentro de casa. Aplicativos estão aí para facilitar esse acesso. Mas, convenhamos que não tem bolso que aguente tanta “comida de fora”. Sem falar que você acaba abusando. Lembra daquele ditado de que “tudo demais é veneno”? Vai chegar um dia desse isolamento social (teoricamente voluntário, bom lembrar) que a boa e velha comida caseira fará falta. E nesse momento que você põe a tradição para trabalhar. Esse é o momento de tirar a poeira do caderno de receitas da avó e colocar a mão na massa. Para os mais jovens, ou que não tiveram o privilégio de herdar as receitas da família, vale também procurar na internet.

Você pode fazer o seu “comer bem” em casa mesmo, ousando nas receitas. Tentar é a dica. A cozinha é sempre uma boa parceira nos momentos de isolamento, principalmente para evitar a fadiga. Trazer de volta a reunião em torno da mesa, valorizar os alimentos caseiros, os sabores e os aromas mais naturais, e, de quebra, gastar menos com entregas e aplicativos. Quem sabe pode ser criada uma nova tradição: a de fazer, orgulhosamente, a sua comida. Esse será um bom motivo para reunir todos na pós-quarentena.

Foto por Wallace Chuck em Pexels.com