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Autor: IuryCostaSR (Page 3 of 3)

Comer na rua, boa ideia?

Sempre quando vejo pessoas comendo na rua, altas horas da noite, fico com a sensação de que são corajosas ao extremo. E são mesmo. Outro dia, voltava de um evento, quando avisto um bar bem movimentado. O espaço, por outro lado, era mínimo. Apenas um balcão extenso onde eram servidas as bebidas. Além do bar (que era minúsculo) estar cheio, as pessoas aproveitavam mesmo na calçada. Estava um formigueiro. Pessoas se divertindo livremente, como se o mundo fosse um mar de rosas. Com a sensação de segurança nos pés e, mesmo assim, enfrentam a noite para se divertir.

Eu, pelo menos, acho um risco enorme sair de casa para comer na calçada, ou em uma varanda para a rua. Não sei se é a ansiedade, mas sempre acharei que pode aparecer um ladrão a qualquer momento. E isso paralisa. Faz com que nem aproveitemos a comida. E pode ser a melhor comida, mas se for para comer na calçada, ela trava na garganta. A noite realmente é maravilhosa, e com muito a se aproveitar. Mas, hoje em dia, só arrisco aproveitá-la em lugares fechados. No máximo, com vista para a rua. E isso de uma distância segura.

Hoje é comum eventos, inclusive de gastronomia, que tentam imitar a rua, mas com segurança, como food trucks estacionados dentro de um terreno (embora seja um absurdo), e festivais de comida de rua em locais cercados. Embora seja errado, foi a saída que as pessoas encontraram para ter uma falsa sensação de segurança. Inclusive está na moda hoje o discurso de apropriação dos espaços públicos. Também defendo isso, com mais atividades ao ar livre e uma verdadeira ocupação. É claro que precisamos de garantias de que o “estar” na rua seja seguro. Ou, pelo menos, que exista a sensação de que estamos seguros.

Infelizmente a bandidagem e, obviamente, a insegurança, foram nos afastando da rua. Calçada? Jamais! Varandinha? Deus me livre! Cobro de mim mesmo essa participação maior nos espaços ao ar livre. Se o poder público não nos dá essa sensação, tentemos aos poucos essa apropriação. Ansiedade de lado (ou após um comprimido), para aproveitar a comida sob a luz do luar.

Foto por Sunyu Kim em Pexels.com

Idiotas úteis

Na era da informação, as redes sociais bombam. Redes e pessoas. Tem digital influencer pra todo tipo de gosto. Até de más influências. As portas abriram-se, também, para os blogueiros de comida, como este que vos escreve. As pessoas compartilham experiências de locais que frequentam, dicas de comidas e lugares bacanas para conhecer. Que harmonia maravilhosa, se fosse o que realmente está no papel. Na tela, na verdade. Pois, como em qualquer outra “profissão” (se é que podemos chamar assim), existem os aproveitadores que se passam de blogueiros para comer de graça todos os dias.

Não tem problema em comer de graça nos lugares, até porque eu também sou chamado para conhecer diversos lugares. Mas o que dá para perceber nas postagens dessas pessoas é que não existe conteúdo gastronômico (ou jornalístico, em alguns casos). Nem uma avaliação mínima. O que não falta, e isso a gente percebe de cara, são as marcações dos restaurantes e das marcas. Pela sede de serem vistos pelas empresas, além das marcações, despejam elogios. Na tentativa de entrarem na lista de comedores gratuitos. Na verdade, que fazem merchan por um prato de comida.

Em uma pesquisa rápida de perfis, não é difícil encontrar exemplos de pessoas que deixaram há tempos a imparcialidade de lado, para misturar, no mesmo caldeirão, publicidade e conteúdo que deveria ser informativo. Devem pensar que sou um jornalista amargo. Mas penso que deve haver essa separação entre o merchan e o conteúdo. Não há problema, inclusive, em fazer merchan. Mas que fique claro aos leitores. E que isso não se reflita na troca por conteúdos. Eu, pelo menos, sempre deixei claro que um convite não se transformaria, necessariamente, em um post. E, caso se tornasse, seria por decisão minha.

Sobre essa questão do prato de comida, nós temos que olhar para o outro lado também. Esses “influencers”, talvez, sejam apenas vítimas. Idiotas úteis. Já que, do outro lado, existe uma empresa que viu a oportunidade de marketing barato. Mandam um presentinho e caem. Repito: devemos sim fazer merchan, principalmente porque não vivemos de luz. Mas… Valorizem-se!

Foto por Pixabay em Pexels.com

Iury Costa

Jornalista (amante de café, obviamente) desde um dia desse. Também sou confeiteiro, quase barista, e aspirante a escritor. Escrevo crônicas sobre situações cotidianas, e vou tentar trazer para o Sem Rótulo a leveza e a informalidade desse gênero para tentar falar sobre gastronomia. Sobre experiências gastronômicas, principalmente. Aliás, sobre o tema, já escrevo há alguns anos. Antes em outro endereço e, agora, aqui. Não sou canônico, e, portanto, minha verdade pode não ser a sua. E não tem problema algum.

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